São muitos os sons que nos cercam a todo instante: o despertador ao acordar, a colher batendo na xícara de café, os carros na rua, as teclas do computador no ambiente de trabalho, conversas, telefonemas e falatórios. E não são apenas os sons externos que chegam até nossos ouvidos, mas também os internos, como: batimentos cardíacos, movimentos dos órgãos, respiração, deglutição, zumbidos, enfim, sons por toda parte.
Os ouvidos às vezes doem, às vezes descansam… Nosso corpo por inteiro reage de diversas maneiras a esse bombardeio sonoro, o coração pode acelerar, o ritmo respiratório diminuir, a transpiração aumentar… Isso se dá porque os sons possuem vibrações que são captadas pelo organismo em sensações táteis desde o ventre materno.
Aos dois meses de gestação o feto tem as primeiras sensações táteis e começa a sentir o contato com a mãe. Ele não ouve e não enxerga, mas, graças também às vibrações, sente tudo o que acontece com ela, se está feliz, triste, ansiosa, nervosa ou eufórica.
A gestação é um momento de grandes expectativas, sentimentos e questionamentos, por isso é muito importante que se dê um olhar mais atento tanto para o bebê que está para nascer, quanto para a mãe que compartilha todo seu ser com o ele.
Nem sempre a relação entre os dois é prazerosa e o vínculo mãe-filho não se forma assim, da noite para o dia. É necessário tempo, compreensão e amor. E não tem melhor instrumento que a voz da mãe para ajudar nesse processo, ela é agradável e transmite carinho. Falar com o bebê, cantar para ele, desde o comecinho, fazer dessa relação uma satisfação mútua.
O trabalho da musicoterapia é justamente o de criar condições para que a relação mãe-bebê se torne cada vez mais forte, saudável e prazerosa. Dar apoio emocional na formação do vínculo, auxiliar no tipo mais adequado de respiração, no relaxamento e no alívio das dores, utilizando as vibrações sonoras e a música propriamente dita como ferramenta principal.
Dentro da barriga da mãe o bebê está se preparando para sobreviver no mundo. Tudo o que ele vivencia durante sua formação serve como referência futura.
As músicas ouvidas pela mãe e, principalmente a sua canção predileta também farão parte do universo sonoro do bebê, proporcionando tranqüilidade e segurança a ambos quando executadas durante o parto.
Ao nascer o bebê sofre uma ruptura um tanto brusca: passa do lugar quentinho e confortável em que estava para um espaço enorme, frio e estranho. A música tem o importante papel de ser mais uma referência, gerando, conseqüentemente, maior confiança para ele.
A maneira como tudo isso é desenvolvido faz toda diferença. O musicoterapeuta tem a missão de conduzir adequadamente o trabalho, acolhendo, orientando e dando o suporte necessário à futura mamãe, para que ela tenha a oportunidade de dar significado único e estímulo suficiente à sua grande espera. É ajudá-la a transformar seu amor em sons para que a chegada de seu filho seja mais que agradável: seja serena e feliz.
Sara Frigini
Musicoterapeuta / Acupunturista