Confesso que senti um arrepio subindo pela espinha e meu queixo caiu de indignação. Como assim “eles colocam uma música e fazem massagem”?
Mesmo na época da faculdade eu já ficava um tanto brava com certas colocações deste tipo, e meus colegas de outras áreas brincavam comigo: “usou muita musiquinha de relaxamento hoje?” ou então “pra que você faz essa faculdade se depois é só colocar um CD New Age pros outros ouvirem?”. Devo dizer que não é bem assim.
Depois de inserida no mercado de trabalho percebi que a população realmente não sabe do que se trata, e, é claro, a culpa não é dela, já que o assunto é relativamente novo.
Pois bem, então vamos ver que “raio de coisa é essa” que deram o nome de MUSICOTERAPIA.
Segundo a Federação Mundial de Musicoterapia, nada mais é que “a utilização da música e/ou dos elementos musicais (som, ritmo, melodia e harmonia) pelo musicoterapeuta e pelo cliente ou grupo, em um processo estruturado para facilitar e promover a comunicação, o relacionamento, a aprendizagem, a mobilização, a expressão e a organização (física, emocional, mental, social e cognitiva) para desenvolver potenciais e desenvolver ou recuperar funções do indivíduo de forma que ele possa alcançar melhor integração intra e interpessoal e consequentemente uma melhor qualidade de vida”.
A grosso modo, a Musicoterapia é um tratamento terapêutico realizado pelo paciente e por um profissional devidamente qualificado, que utiliza a música como ferramenta de trabalho.
O paciente é submetido a uma anamnese (ou entrevista), algumas sessões de avaliação (dependendo do caso) e depois é formado um plano de tratamento a ser realizado, individualmente ou em grupo.
E como se dá esse tratamento? Como a música é utilizada?
A Musicoterapia associa a música aos aspectos do paciente a serem tratados, às características de uma patologia, como: problemas emocionais, depressão, stress, dor, síndromes diversas (neurológicas, genéticas e comportamentais), afasias, pacientes em coma, derrames cerebrais (AVC), crianças com problemas de aprendizagem, autismo, atraso no desenvolvimento neuro-psico-motor, etc.
Existem várias técnicas de tratamento, classificadas como “ativas” ou “passivas” que são derivadas de quatro principais: Improvisação, Re-Criação, Audição e Composição Musicais.
Durante a sessão, o paciente pode tocar um instrumento, cantar, dançar ou apenas ouvir uma música, tocada pelo musicoterapeuta ou gravada; e pode fazer tudo isso sozinho ou acompanhado pelo profissional. Não é necessário que o paciente tenha formação ou conhecimento musical para vivenciar e participar da Musicoterapia.
Agora, será que a música é capaz de ajudar no tratamento de todos estes casos relacionados logo acima?
Já se sabe (e não é de hoje) dos efeitos da música sobre o Ser Humano. Ela atinge não só nossos ouvidos, mas também nossa pele, nossos ossos, nosso cérebro, enfim, todo o nosso organismo. Além de proporcionar o bem-estar, também alivia dores físicas e emocionais, e ajuda em processos neurológicos.
No caso do alívio da dor, a música atinge áreas cerebrais específicas que liberam a endorfina, substância responsável por nossa sensação de prazer. E, adicionado a isso, a pessoa volta sua atenção à música, distraindo-se da dor. Isso porque ambas, música e dor, são processadas em regiões cerebrais em comum, e “como só passa um estímulo por vez, a música toma o lugar da dor”, segundo o professor de musicoterapia Renato Tocantins Sampaio, em entrevista à Folha Equilíbrio em Janeiro de 2003.
Num outro aspecto, alguns pesquisadores acreditam que a música pode ser considerada como sendo uma forma de linguagem e comunicação, por ser processada também em áreas cerebrais relacionadas à linguagem, e não só no córtex auditivo, como a área de Broca, responsável por nossa compreensão gramatical.
Dessa maneira dá para se ter uma noção da importância da música na vida das pessoas, até mesmo daquelas que dizem não gostarem de música. O tempo todo nós somos submetidos a sons e ruídos de todo tipo que influenciam o nosso dia-a-dia, o nosso humor.
O cantor Oswaldo Montenegro compôs uma canção belíssima chamada “Sem Mandamentos”, que diz assim: “Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua pra escrever a música sem pretensão, eu quero que as buzinas toquem flauta-doce e que triunfe a força da imaginação”. Então, imaginem vocês se as buzinas do engarrafamento do tráfego da cidade de São Paulo soassem como a flauta-doce… Se tocassem uma suave e agradável melodia… Eu duvido muito que as pessoas continuariam a gritar, xingar e brigar por estarem ali naquela situação rotineiramente estressante. E me dou o direito de pensar que ao som de uma boa música, por assim dizer, o trânsito poderia até fluir mais livremente.
Mas esta é só uma hipótese para exemplificar o quanto a música está presente no nosso cotidiano.
Por isso, por que não usa-la de maneira consciente e para o nosso próprio bem? Essa é a tarefa da Musicoterapia.
Quem vivencia o processo musicoterápico não experimenta simplesmente uma nova abordagem terapêutica, mas experimenta uma nova e prazerosa maneira de viver.
Sara Frigini
Musicoterapeuta e Acupunturista
Achei a matéria sobre musicoterapia interessante. Talvez possa ajudar meu irmão. Gostaria de saber o local de sua clínica e telefone para contato.
Por: Leonardo em 28 Março, 2008
às 12:13 pm
OI Sara,
Parabéns pela matéria, gostei muito!! Divulgue em outros meios de comunicação, a população precisa conhecer mais sobre os inúmeros benefícios desta terapia. Grande bjo e sucesso!
Por: Aline Caggiano em 4 Abril, 2008
às 10:04 pm
Sara,vc está realmente no caminho certo.lute muito pois fará bem a vc e às pessoas que precisam da Musicoterapia.Bjus tia Beth
Por: tia bethna em 14 Maio, 2008
às 3:32 pm